CONTEXTO
Como Acabar com um Festival em 5 Passos é um documentário desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso em Publicidade e Propaganda. A obra investiga o desaparecimento de festivais de música em Belo Horizonte por meio de uma narrativa estruturada como um manual invertido. Em vez de apresentar respostas definitivas ou apontar culpados, o documentário organiza uma pesquisa complexa em cinco etapas que evidenciam uma cadeia de causas e consequências, tornando um tema técnico mais acessível e envolvente para diferentes públicos
DESAFIOS
O desafio consistiu em traduzir uma pesquisa acadêmica em uma experiência audiovisual dinâmica, sem comprometer a profundidade da discussão. A identidade visual precisava sustentar a metáfora do manual ao longo de toda a narrativa, organizando entrevistas, dados, notícias e estudos de caso em um sistema visual coerente, capaz de aproximar o espectador do processo investigativo e reforçar o caráter crítico do documentário.
CONCEITO
O conceito parte da apropriação da linguagem dos audio guides e dos manuais físicos distribuídos em estojos organizados por capítulos. Essa referência foi reinterpretada para transformar o documentário em um manual fictício, no qual cada ato representa uma etapa de um processo que conduz ao colapso dos festivais. A estrutura em cinco passos organiza o raciocínio de forma progressiva, enquanto a narração em segunda pessoa posiciona o espectador como quem executa cada decisão apresentada. O resultado é uma narrativa crítica e irônica que desloca o foco da busca por culpados para a compreensão de um conjunto de escolhas que, somadas, produzem o problema investigado.
SISTEMA VISUAL
Vinhetas de Abertura
A identidade visual é apresentada por meio de um box inspirado em coleções de audio guides, contendo cinco fitas cassete que representam os capítulos do documentário. A cada novo ato, uma fita específica é inserida no aparelho, estabelecendo uma progressão visual que reforça a estrutura do manual e conduz o espectador ao longo da narrativa.
Casos Reais
Cada estudo de caso é introduzido por uma cartela composta por fundo preto, ruído analógico e informações inspiradas na interface de reprodutores VHS. Essa padronização cria uma separação clara entre a construção argumentativa e a análise dos festivais, destacando cada exemplo como uma evidência dentro da investigação.
Lower Thirds
Os identificadores dos entrevistados foram desenvolvidos a partir da própria fita cassete. A área utilizada para inserir nomes e funções reproduz o espaço onde tradicionalmente eram feitas anotações manuais nas fitas, estabelecendo uma relação direta entre o sistema de identificação e o conceito central da identidade visual.
Linguagem Audiovisual
Toda a linguagem audiovisual incorpora referências às mídias analógicas por meio de ruídos, interferências, filtros inspirados em VHS, efeitos sonoros de rebobinamento e tratamentos aplicados a vídeos, notícias e capturas de tela. Esses elementos não atuam apenas como recurso estético, mas reforçam a unidade visual do documentário e ampliam a sensação de que toda a narrativa é reproduzida a partir de um acervo físico de registros.
CONCLUSÃO
A identidade visual transforma o conceito do manual em um sistema gráfico aplicado a toda a experiência audiovisual. Ao combinar referências aos audio guides, às fitas cassete e à estética das mídias analógicas, o projeto estabelece uma linguagem própria que organiza a narrativa, fortalece o discurso crítico do documentário e faz da direção de arte um elemento ativo na construção da investigação.